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Morte de Eduardo Campos derruba Bolsa e faz dólar bater R$ 2,29

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O Banco do Brasil, apesar de ter encerrado o dia com leve ganho de 0,25%, a R$ 27,65, registrou perda de 1,16% minutos após a confirmação da tragédia – foto: divulgação.

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O acidente aéreo que matou Eduardo Campos, candidato do PSB à Presidência da República, desestabilizou o mercado financeiro nesta quarta-feira (13).



O Ibovespa, que subia desde a abertura dos negócios, inverteu a tendência para queda por volta de 12h (de Brasília), quando surgiram as primeiras informações de que Campos estaria na aeronave que caiu em Santos -litoral sul de São Paulo.

O principal índice da Bolsa brasileira chegou a perder 2,1%, mas amenizou a baixa em seguida e fechou com desvalorização de 1,53%, para 55.581 pontos.

O volume financeiro foi de R$ 15,5 bilhões, amparado pelo vencimento de opções (contratos de apostam no valor futuro dos ativos) sobre Ibovespa e índice futuro, que correspondeu por R$ 2,65 bilhões.

A notícia também teve impacto no mercado cambial. Após ter atingido R$ 2,29 por volta de 12h30, o dólar à vista, referência no mercado financeiro, recuou e fechou praticamente estável, com desvalorização de 0,06% sobre o real, cotado em R$ 2,274 na venda. E o dólar comercial, usado no comércio exterior, subiu 0,04%, a R$ 2,279.

“A primeira reação do mercado financeiro foi muito negativa porque os investidores temiam que Marina Silva, candidata a vice na chapa de Campos, também estivesse na aeronave”, diz André Perfeito, economista-chefe da Gradual Investimentos. “Quando descobriu-se que ela estava em São Paulo, o impacto negativo foi amenizado”, acrescenta.

De acordo com o economista, caso Marina assuma a liderança na chapa do PSB, “aumenta a 100% a chance de haver segundo turno na eleição presidencial de outubro”. “Ela tem um poder político muito grande, na minha opinião, talvez até maior que Campos. Mas ainda há muita incerteza sobre o que vai acontecer, o que sugere cautela. Temos que esperar”, completa.

ESTATAIS

A morte de Campos pode alterar uma dinâmica que vinha se sustentando no mercado financeiro desde que começaram a ser divulgadas pesquisas apontando perda de espaço da presidente Dilma Rousseff (PT) na corrida pelo Planalto.

Como resultado, a Bolsa subia sempre que a possibilidade de um segundo turno e uma eventual mudança de governo despontava no horizonte. Eduardo Campos aparecia em terceiro nas pesquisas de intenção de voto divulgadas até então.

“O mercado está tentando encontrar um Norte após o ocorrido, o que aumenta a instabilidade na Bolsa e no câmbio. [A morte de Campos] pode atrair votos em solidariedade para a Marina por causa do tamanho da tragédia, caso ela assuma a chapa do PSB”, diz Julio Hegedus, economista-chefe da consultoria Lopes Filho.

“A questão, agora, é monitorar o que pode acontecer”.

As ações preferenciais (sem direito a voto) da Petrobras chegaram a cair 5,95% após a notícia do acidente, mas amenizaram a perda e fecharam em baixa de 4,78%, para R$ 18,73.

O Banco do Brasil, apesar de ter encerrado o dia com leve ganho de 0,25%, a R$ 27,65, registrou perda de 1,16% minutos após a confirmação da tragédia. Enquanto isso, a Eletrobras viu sua ação preferencial ter desvalorização de 3,11%. No fechamento, reduziu a queda a 1,56%, para R$ 10,75.

“Ainda há muita incerteza sobre o que vai acontecer com a corrida eleitoral. Em todo caso, as mais afetadas são sempre as estatais”, diz Frederico Lukaisus, gerente da mesa de renda variável da Fator Corretora.

Por Folhapress