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Porque nao falamos todos o mesmo idioma ?

As distâncias antigamente eram maiores, sem veículos e com muita mata, era difícil o encontro entre tribos e cidades diferentes, isso fazia com que cada grupo formasse sua cultura própria, uma prova disso são os próprios índios do Brasil, eles não falam todos o mesmo dialeto, desta forma a linguagem também se desenvolveu de formas diferentes em vários locais do mundo, países de grande extensão ou com muitas barreiras naturais, mais difíceis de serem transpostas antigamente, acabaram por ter vários dialetos ou até mesmo línguas diferentes dentro deles.
Não há uma única resposta para o surgimento dos idiomas. Tem muito a ver com as crenças de cada povo e em cima destas teorias, os estudiosos do assunto constroem suas teorias.Não seria mais fácil se todos falássemos a mesma língua? Afinal, cada espécie animal entende-se perfeitamente entre si. Se os cães têm todos a mesma “língua”, por que raios tivemos nós de complicar?

A verdade é que os cães não falam uma “língua”, mas têm, isso sim, uma linguagem. Também os seres humanos partilham a mesma linguagem, que inclui sons e expressões universais (o riso, por exemplo), que correspondem à linguagem animal, e ainda a capacidade para falar uma ou mais línguas. Dois seres humanos que falem línguas muito diferentes conseguem comunicar as sensações e necessidades básicas, tal como os animais. O que se passa é que, depois, temos algo que os animais não têm: as línguas. Estas últimas variam muito, como sabemos — mas a capacidade de comunicar verbalmente é um aspecto comum a toda a humanidade.

As línguas são uma forma de comunicação exclusiva dos seres humanos. As línguas transmitem-se pela aprendizagem e desenvolvem-se no contacto entre as pessoas, mudando continuamente, adaptando-se ao mundo, acompanhando a capacidade humana de inventar, comunicar, descobrir, mentir, manipular, amar e odiar — em geral, de se relacionar e de fazer coisas em geral. A linguagem animal está irremediavelmente presa à biologia de cada espécie. As línguas permitem libertar-nos da biologia (ou pelo menos, ter a ilusão de que nos libertamos). Se os animais falassem línguas, estas também seriam diferentes de região para região, porque dependem da comunicação contínua no seio duma comunidade mais ou menos próxima.

[center]ImagemA Torre de Babel, por Pieter Brueghel[/center]
Seja como for, não teria sido possível inventar uma só língua? Ou seja, por que razão não aprendemos todos a mesma língua? Não parece assim tão difícil.

Se pensarmos bem, mais do que difícil, seria impossível: para tal, teria sido preciso criar uma língua universal no momento em que a linguagem humana se estava a desenvolver. Convenhamos que, na Idade da Pedra, não havia uma ONU que definisse uma comissão intergovernamental para criar uma língua universal (em que língua discutiriam a criação da língua universal?). Depois, mesmo que se tivesse inventado uma língua comum, todos os humanos teriam tido de a aprender, independentemente do local onde se encontrassem. Se hoje parece fácil, não estou a ver como teria sido possível transmitir a nova língua entre os vários continentes há uns bons milhares de anos. Por fim, era necessário que, para cada nova realidade, fosse criada uma mesma palavra para todo o mundo.

No fundo, para haver uma só língua, teria de ter havido comunicação e convivência entre toda a humanidade desde o início, comunicação essa que nunca poderia ter sido interrompida e que teria de ter sido coordenada centralmente, com a aceitação por parte todos das decisões dessa Autoridade Linguística — ora, há algo menos humano do que isto?

A verdade é que as línguas não são sistemas inventados em determinada altura e não se impõem, para lá da influência maior ou menor duma qualquer norma. As línguas variam conforme o local, a classe social, a idade, os interesses, a pessoa. As línguas mudam porque só assim podem existir: em constante mutação, perante o mundo e conforme as relações entre as pessoas que as usam. Uma só língua para toda a humanidade iria implicar uma limitação absurda da linguagem humana, regras imutáveis, decisões centralizadas sobre formas de falar e por aí fora.

Em resumo, uma língua materna universal é uma impossibilidade. Mesmo que tivesse sido possível, não seria necessariamente positiva para a humanidade. Com uma só língua, a humanidade seria muito diferente do que é: talvez mais parecida com um formigueiro, com uma rainha a debitar regras linguísticas de cima para baixo. Nem há uma “rainha” deste tipo — nem nós somos formigas. Somos bichos bem mais interessantes (e perigosos, admito).


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